Receber o diagnóstico de catarata costuma trazer muitas dúvidas e, em alguns casos, até ansiedade. É comum que o primeiro pensamento seja: “Vou precisar operar agora?” ou “Será que posso perder a visão?”. Ao mesmo tempo, ainda existem muitos mitos sobre a doença. Enquanto algumas pessoas acreditam que a cirurgia deve ser realizada imediatamente, outras pensam que é necessário esperar a catarata “amadurecer” antes de qualquer tratamento.
Mas, na prática, nenhuma dessas ideias representa exatamente a realidade. A catarata é uma das doenças oculares mais comuns, especialmente com o avanço da idade. Felizmente, hoje, conta com tratamento seguro e individualizado.
E, para intervenção adequada, além de realizar a avaliação cataratas e identificá-la, é preciso compreender em que estágio a doença se encontra, como ela está interferindo na qualidade de vida e qual é o momento mais adequado para intervir.
Neste artigo, o Dr. Rodolpho Matsumoto (CRM-PR 45009 | RQE 27590), médico oftalmologista que atua diretamente com catarata e é também especialista em glaucoma, explica quais são os próximos passos após o diagnóstico diferencial de catarata, quando a cirurgia costuma ser indicada, quais cuidados ajudam a preservar a saúde ocular e como acontece o acompanhamento.
Como é feito o diagnóstico de catarata?
O diagnóstico de catarata é feito em uma consulta com um médico oftalmologista por meio de avaliação clínica e exames como a lâmpada de fenda (biomicroscopia) e o teste de acuidade visual, que possibilitam identificar/confirmar a opacidade do cristalino.
O mapeamento de retina também pode ser realizado para confirmar o diagnóstico. Esse exame é feito com a pupila dilatada e tem o intuito de examinar o fundo do olho, assegurando que não há outros problemas na retina associados.
O que significa ter catarata?
A catarata acontece quando o cristalino, lente natural no olho, perde gradualmente sua transparência. Esse processo faz com que a passagem da luz até a retina seja prejudicada, resultando em sintomas de catarata como visão embaçada, aumento da sensibilidade à luz, dificuldade para dirigir à noite e redução da nitidez das cores.
Na maioria das pessoas, a evolução é lenta e progressiva. Por isso, é determinante compreender como diagnosticar catarata e realizar o devido acompanhamento profissional.
Por isso, receber o diagnóstico não significa, necessariamente, que a visão será perdida rapidamente ou que a cirurgia precise ser realizada com urgência. Em muitos casos, existe um período de acompanhamento em que o oftalmologista observa a evolução da doença e avalia como ela interfere nas atividades do paciente.
Importante dizer que existe tratamento da catarata a laser, cirúrgico e diversos outros métodos.
Contudo, ela não melhora espontaneamente e nem pode ser revertida com medicamentos ou tratamentos caseiros. Uma vez diagnosticada, a catarata tende a evoluir ao longo do tempo, embora essa progressão aconteça em velocidades diferentes para cada pessoa.
Primeiro passo: avaliação oftalmológica completa
Após confirmar o diagnóstico da catarata, o oftalmologista faz uma avaliação detalhada para entender a intensidade e as condições gerais da saúde ocular.
Essa etapa é fundamental porque nem toda redução da visão é causada exclusivamente pela catarata. Algumas pessoas também apresentam:
- glaucoma;
- doenças da retina;
- alterações da córnea.
Também pode ocorrer outras condições que podem influenciar tanto a qualidade da visão quanto o planejamento do tratamento, demandando cuidado dos olhos específicos.
Durante a avaliação ocular, o especialista considera diversos fatores, como o grau de opacidade do cristalino, a acuidade visual, o histórico clínico, as necessidades do paciente e os exames complementares realizados para definir o protocolo de tratamento de cataratas mais adequado.
Essa análise individualizada permite definir a melhor estratégia para cada caso, evitando intervenções precipitadas e proporcionando um procedimento mais seguro.
Nem toda catarata precisa ser operada imediatamente
Uma das maiores dúvidas dos pacientes é saber se a cirurgia de cataratas nos olhos deve ser feita logo após o diagnóstico. E, na maioria das vezes, a resposta é não.
Hoje, a indicação da cirurgia não depende apenas da aparência da catarata ou do tempo de evolução da doença. O principal critério é o impacto que ela causa na qualidade de vida.
Se o paciente ainda consegue realizar suas atividades normalmente, como trabalhar, ler, dirigir ou utilizar dispositivos eletrônicos, e a visão permanece satisfatória, pode ser indicado apenas o acompanhamento periódico e outras medidas.
Durante esse período, consultas regulares permitem acompanhar a progressão da catarata e identificar o momento mais adequado para o procedimento.
Essa abordagem evita tanto intervenções precoces desnecessárias quanto atrasos que possam comprometer o bem-estar e a autonomia do paciente. Quando identificada a necessidade, a cirurgia de cataratas com lente pode ser realizada.
Lente intraocular e planejamento do tratamento
Uma etapa importante da preparação para a cirurgia é a definição da lente intraocular que substituirá o cristalino. Hoje existem diferentes modelos de lente ocular para cataratas, desenvolvidos para atender às necessidades visuais e ao estilo de vida de cada paciente.
Durante a consulta, o oftalmologista avalia fatores como hábitos de leitura, uso de computador, prática esportiva, doenças oculares associadas e expectativas em relação ao resultado visual.
Essa conversa é essencial para que a decisão seja compartilhada e baseada em critérios técnicos e científicos, bem como considerando as necessidades e devido acolhimento do paciente para, por exemplo, definir se o modelo de foco estendido é a indicação mais adequada.
Quais cuidados são importantes enquanto a cirurgia ainda não é necessária?
Mesmo quando a cirurgia não é indicada imediatamente, alguns cuidados ajudam a manter a qualidade da visão e acompanhar a evolução da doença. O mais importante é comparecer às consultas de acompanhamento na frequência orientada pelo oftalmologista.
Também é recomendado manter o controle de doenças como diabetes e hipertensão, utilizar óculos de sol com proteção contra radiação ultravioleta e evitar a automedicação.
Qualquer alteração importante na visão deve ser comunicada ao oftalmologista, principalmente se surgir de forma rápida ou estiver acompanhada de dor ocular, flashes luminosos ou perda súbita da visão, situações que podem indicar outros problemas além da catarata.
Mas, afinal, quando operar catarata? Quais sinais considerar?
A cirurgia costuma ser considerada quando a catarata começa a interferir nas atividades diárias. Alguns sinais que merecem atenção especial são:
- dificuldade para dirigir, principalmente à noite;
- visão embaçada mesmo utilizando os óculos corretamente;
- necessidade constante de trocar o grau sem melhora significativa;
- dificuldade para ler ou trabalhar;
- sensibilidade excessiva à luz;
- perda de contraste e da percepção das cores;
- comprometimento da independência para realizar tarefas cotidianas.
Além disso, em algumas situações, a cirurgia catarata ocular pode ser recomendada mesmo antes de sintomas muito intensos, principalmente quando dificulta o acompanhamento ou o tratamento de outras doenças, como tratamento do glaucoma ou alterações da retina.
Como funciona a cirurgia de catarata?
A cirurgia de catarata consiste na remoção do cristalino opaco e sua substituição por uma lente intraocular artificial, escolhida de acordo com as características e necessidades de cada paciente.
Em geral, trata-se de uma cirurgia rápida, em média de 15 a 20 minutos, realizada com anestesia local em gotas e, na maioria dos casos, sem necessidade de internação prolongada. Após a colocação da lente de cataratas, geralmente, a alta ocorre no mesmo dia.
Para a realização de cirurgia de catarata como é o médico usa o ultrassom (facoemulsificação) para fragmentar e aspirar o cristalino opaco. Depois, uma lente intraocular dobrável é colocada no lugar para restaurar o foco da visão.
É considerado um dos procedimentos oftalmológicos mais realizados e com maiores índices de sucesso em todo o mundo. Para se ter uma ideia, somente no Brasil, realiza-se cerca de 1,8 milhão de cirurgias de catarata por ano. E, o avanço das técnicas cirúrgicas e dos equipamentos permite intervenções mais precisas, proporcionando recuperação visual mais ágil para grande parte dos pacientes.
Entretanto, é importante lembrar que cada caso é único. A indicação da técnica e da lente intraocular depende de uma avaliação detalhada realizada pelo oftalmologista. Para isso, pode ser usadas uma lente multifocal cataratas, ou lente intraocular monofocal tórica.
Quais cuidados essenciais após cirurgia de catarata?
A recuperação após a cirurgia de catarata costuma ser rápida, mas exige alguns cuidados para favorecer a cicatrização e reduzir o risco de complicações. É fundamental utilizar os colírios conforme a prescrição médica, proteger a região contra impactos e comparecer a todas as consultas de acompanhamento.
Entre os cuidados após cirurgia de cataratas, também é importante evitar coçar ou pressionar os olhos, exercícios intensos, e não nadar ou frequentar saunas nas primeiras semanas. A visão melhora bastante nos primeiros dias, e o retorno às atividades leves ocorre quase de imediato, com cicatrização completa em cerca de um mês.
Contudo, o oftalmologista também poderá orientar restrições temporárias para atividades físicas, exposição à água ou esforço excessivo, de acordo com a evolução de cada paciente. Seguir corretamente essas recomendações de cuidados com a vista contribui para uma recuperação mais tranquila.
Existe algum tratamento que substitui a cirurgia?
Atualmente, não existem colírios, medicamentos, vitaminas ou exercícios capazes de eliminar a catarata ou recuperar a transparência do cristalino. Embora algumas medidas possam melhorar temporariamente o conforto visual, elas não interrompem a evolução da doença.
Até o momento, a cirurgia continua sendo o único tratamento capaz de remover a catarata e restaurar a transparência do sistema óptico do olho com qualidade. Além disso, o cuidado pós-operatório é essencial para preservar os resultados.
O acompanhamento continua mesmo após o tratamento?
Sim. Apesar de muitas pessoas acreditarem que a cirurgia encerra definitivamente os cuidados com a saúde ocular. Na realidade, o acompanhamento continua sendo importante.
As consultas pós-operatórias permitem acompanhar a cicatrização, avaliar a adaptação à lente intraocular e monitorar outras condições que podem surgir com o envelhecimento, como glaucoma e doenças da retina.
Diagnóstico de catarata: apenas o início do cuidado
A catarata faz parte do processo de envelhecimento de muitas pessoas e, atualmente, conta com tratamento eficaz, principalmente quando indicado no momento adequado. Com isso, muitos consideram o protocolo como um sinal de que a catarata tem cura.
Mas para isso, mais do que pensar na cirurgia, é preciso compreender que cada caso exige uma avaliação individualizada, baseada nos sintomas, nos exames de catarata e nas necessidades da rotina.
Com acompanhamento especializado, planejamento cuidadoso e tecnologia adequada, é possível recuperar a qualidade da visão e retomar as atividades.
Palavra do especialista
“Durante muitos anos, era comum ouvir que a catarata precisava ‘amadurecer’ antes de ser operada. Hoje, sabemos que esse conceito não faz mais sentido na maioria dos casos.
Com a evolução das técnicas cirúrgicas e dos métodos de diagnóstico, a decisão sobre o momento da cirurgia é muito mais individualizada. Avaliamos o aspecto da catarata, mas principalmente como ela está interferindo na qualidade de vida do paciente.
Se a visão já dificulta atividades como ler, dirigir e trabalhar com segurança, pode ser o momento de conversar sobre o tratamento.
Por outro lado, receber o diagnóstico de catarata não deve ser motivo para preocupação imediata e nem significa que a cirurgia será indicada imediatamente.
Na verdade, o início de um cuidado dedicado. Em muitos casos, o acompanhamento periódico é a melhor conduta até que a intervenção seja necessária.
O mais importante é que essa decisão seja tomada em conjunto, com base em uma avaliação completa e nas necessidades de cada paciente, para identificar, com segurança e no momento adequado, quando a cirurgia realmente trará benefícios.”
— Dr. Rodolpho Matsumoto (CRM-PR 45009 | RQE 27590), médico oftalmologista com experiência em catarata e casos delicados, foi chefe de Residência Médica no Hospital das Clínicas em 2018 e realizou Fellowship em glaucoma pela Universidade de Montreal, no Canadá, em 2019.
Diagnóstico de catarata e cuidado com a visão
Receber o diagnóstico de catarata é o primeiro passo para cuidar da saúde ocular. Com acompanhamento especializado e direcionado, é possível definir o momento ideal para o tratamento e tomar decisões baseadas nas suas necessidades e no seu estilo de vida.
Na Clínica Ikigai, você conta com atendimento humanizado, tecnologia diagnóstica de alta precisão e uma equipe especializada em catarata, glaucoma e doenças da retina, trazendo uma opção de onde fazer cirurgia de catarata com o olhar atento dos profissionais.
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