Por Rodolpho Matsumoto | 05/03/26
A pressão intraocular (PIO) não é um número fixo; ela varia de pessoa para pessoa, assim como a altura ou o peso. Com base em grandes estudos populacionais, a medicina estabeleceu padrões para entender o que é considerado uma pressão "comum".
A maior parte da população apresenta uma pressão ocular em torno de 15 mmHg. Estatisticamente, define-se como uma faixa de normalidade os valores entre 11 e 21 mmHg.
Não necessariamente, mas é um sinal de alerta. O importante estudo Ocular Hypertension Treatment Study (OHTS) revelou que aproximadamente 29% dos pacientes com hipertensão ocular desenvolveram glaucoma em um período de 20 anos.
Isso significa que ter a pressão acima de 21 mmHg aumenta o risco, mas não garante que a doença surgirá. O desenvolvimento do glaucoma é multifatorial.
Para decidir se um paciente precisa de tratamento preventivo, o oftalmologista não olha apenas para o número no medidor. O risco é calculado cruzando diversos dados, como:
Uma vez que o diagnóstico de glaucoma é confirmado ou que se decide tratar a hipertensão ocular, o foco principal é o controle da pressão para proteger o nervo óptico.
Diferente de uma infecção que tratamos até curar, o glaucoma é gerenciado por meio de metas. Como regra geral, o objetivo inicial é reduzir a pressão atual do paciente entre 20% e 30%.
A partir desse novo patamar, o oftalmologista monitora se a visão permanece estável. Se a doença parar de progredir, a meta foi atingida; se não, o alvo pode ser ajustado para uma pressão ainda menor.
Existem várias "famílias" de medicamentos (chamados de hipotensores) que ajudam a baixar a pressão dos olhos. As principais classes são:
Não existe um "melhor colírio" universal. Todos os citados são eficazes, mas a escolha depende de uma avaliação personalizada:
Muitas pessoas acreditam que o tratamento do glaucoma se resume ao uso diário de gotas, mas hoje existe uma alternativa moderna e eficaz chamada Trabeculoplastia Seletiva a Laser, ou simplesmente SLT.
O SLT é indicado para pacientes com o chamado "glaucoma de ângulo aberto". Imagine que o olho possui um ralo interno (chamado de malha trabecular) por onde o líquido do olho deve escoar. Com o tempo, esse ralo pode ficar obstruído.
O laser atua realizando uma espécie de limpeza e desobstrução desse sistema de filtragem. Ele estimula as células do próprio olho a trabalharem melhor, facilitando a saída do líquido e, consequentemente, baixando a pressão ocular.
Antigamente, o laser era deixado apenas para casos em que os colírios falharam. Hoje, no entanto, temos estudos científicos muito robustos que mostram que o SLT pode ser a primeira forma de tratamento, antes mesmo do paciente começar a usar qualquer colírio.
As principais vantagens dessa abordagem inicial são:
Quando os colírios ou o laser não são suficientes para controlar a pressão, dispomos de recursos cirúrgicos altamente eficazes. Hoje, dividimos essas opções em dois grandes grupos:
1. A Cirurgia Tradicional (Trabeculectomia)
Esta é a técnica "padrão ouro" utilizada há décadas. Nela, o cirurgião cria manualmente um novo caminho de drenagem para o líquido do olho.
A grande diferença para o paciente está na experiência pós-operatória:
O glaucoma pode ser acompanhado por qualquer oftalmologista, pois, na nossa formação acadêmica, temos muito contato e experiência com essa doença. Porém, o especialista terá um olhar mais individualizado, conseguindo ir além, detectando casos iniciais que passariam despercebidos, tratando doenças de mais difícil controle e sabendo manejar o glaucoma também com cirurgia ou laser.
Dito isso, cabe ao paciente se conscientizar de que se trata de uma doença crônica e incurável, que demanda atenção e visitas regulares ao oftalmologista para realização dos exames de controle (OCT e Campo Visual) para o acompanhamento adequado.
Gostou de conhecer um pouco mais sobre o glaucoma? Então, entre em contato conosco e agende uma avaliação.
Dr. Rodolpho Matsumoto | CRM 45009 PR | RQE 27590 © Todos os Direitos Reservados.
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